— Cinema

Por que Kubrick é considerado um dos maiores diretores de todos os tempos?

22/07/2018

Pegue qualquer livro que fale da história do cinema ou sobre os melhores filmes produzidos no século XX. Certamente será possível encontrar o nome de Stanley Kubrick na lista, às vezes até mesmo mais de uma vez.

A ubiquidade do diretor em listas que pretendem reunir os melhores filmes de todos os tempos ou os maiores diretores do cinema não é à toa.

Por isso, hoje a Softcine traz para você as principais razões pelas quais Stanley Kubrick é considerado um dos maiores diretores de cinema de todos os tempos. Ao final, trazemos também algumas dicas de filmes imprescindíveis para quem quer conhecer a obra do diretor.

A genialidade de Kubrick

stanley kubrick

Nascido no dia 26 de julho de 1928 em Manhattan, Kubrick assumiu o papel do que mais tarde seria chamado de diretor-autor. Muito mais do que apenas dirigir um filme atrás do outro, ele possuía um visão integral do projeto, fazendo com que cada um de seus filmes se tornasse uma obra-prima única, extremamente polida e bem trabalhada.

Uma das razões para isso é que ele possuía completo domínio sobre a técnica. No curta-metragem Fear and Desire (1953), um dos primeiros de sua carreira, Kubrick atuou como produtor, diretor, roteirista, fotógrafo e montador. Isso seria algo que se repetiria de maneira semelhante em todos os seus filmes. Ele nunca era apenas o diretor.

O domínio sobre a técnica e seu grande perfeccionismo permitia a Kubrick uma grande atenção e controle sobre todos os detalhes de cada cena de seus filmes.

A atenção aos mínimos detalhes, que muitos que trabalhavam na equipe consideravam excessiva, fez com que o diretor fosse muitas vezes visto como alguém peculiar. E os exemplos disso são muitos. Quando filmava O Iluminado (1980) ele ligou para Stephen King às 2 horas da madrugada para perguntar se o escritor acreditava em Deus.

A visão única que Kubrick tinha do cinema abriu espaço para muitas inovações em seus filmes. Em Barry Lyndon (1975) a ideia de Kubrick era fazer com que o filme se parecesse com uma pintura do século XVIII. Para isso, não foi utilizada luz artificial na produção das cenas. A iluminação foi completamente feita utilizando luz natural ou luz de velas.

Além disso, algumas das cenas do filme foram filmadas com uma câmera desenvolvida pela Zeiss e utilizada pela NASA nas missões Apollo. Com uma ampla abertura, Kubrick conseguiu alcançar seu objetivo: Barry Lyndon parece uma obra de arte. E toda sua iluminação foi feita por meio de luz natural. Isso fica ainda mais impressionante quando levamos em conta que o filme tem uma duração de pouco mais de três horas!

Os filmes de Stanley Kubrick

Abaixo, reunimos os principais filmes de Kubrick e oferecemos uma descrição e alguns fatos curiosos sobre a produção deles. Você já assistiu algum? Qual é o seu favorito?

Lolita (1962)

lolita

Filme baseado na obra homônima do escritor russo-americano Vladimir Nabokov, acompanha o professor de literatura francesa Humbert Humbert, um homem solitário e brilhante, que busca um local em New Hampshire para passar o verão antes de começar a ministrar aulas em uma faculdade de Ohio.

Humbert conhece a viúva Charlotte Haze, que o convida para ficar em sua casa. O professor aceita o convite após conhecer a filha de Charlotte, Dolores, apelidada carinhosamente de Lolita. O vínculo emocional de Humbert com Lolita terá como consequência inúmeras reviravoltas em na história.

Lolita, como muitas das obras de Kubrick, gerou uma grande revolta em razão do tema sensível que era abordado. De qualquer maneira, o filme ajudou a catapultar o uso do nome Lolita como sinônimo de ninfeta.

 

 

Laranja Mecânica | A Clockwork Orange (1971)

O filme acabou se tornando um dos mais reconhecidos de Kubrick, principalmente em razão de seu estilo inconfundível. Acompanhamos a história de Alex (Malcolm McDowell), líder de uma gangue de arruaceiros que praticam a ultraviolência.

Com muitas cenas de violência explícita, Laranja Mecânica gerou muita polêmica no seu lançamento, em 1971. Apesar disso, logo se tornou um clássico, principalmente em razão de apresentar reflexões filosóficas sobre a própria natureza da nossa sociedade e sobre a violência e também um visual que marcou profundamente a cultura pop.

Após seu lançamento, alguns crimes violentos que ocorreram na Inglaterra acabaram sendo ligados ao filme. Isso fez com que Kubrick retirasse de circulação as cópias do filme no país. Clockwork Orange apenas estaria disponível para o público inglês em 2001, após a morte do diretor (1999).

O Iluminado | The Shining (1980)

Esse filme rendeu uma grande briga entre Kubrick e o escritor Stephen King. Apesar de não ter agradado nem um pouco o escritor, muitos dos fãs de Kubrick consideram esse um de seus melhores filmes.

Uma das razões para isso está na obsessão do diretor com detalhes e com a autuação. A cena de Jack Nicholson com um machado se tornou um clássico do cinema e a atuação de Shelley Duvall não deixa nada a desejar.

A célebre cena do machado (“Here’s Johnny”) demorou três dias para ser filmada e foram utilizadas no total 60 portas. Shelley Duval, que interpreta Wendy Torrence, sofreu de exaustão nervosa durante as filmagens. De acordo com a atriz, esse foi o papel mais difícil de toda a sua carreira.

 

2001: Uma odisseia no espaço (1968)

 

Quando um monólito é encontrado na Lua, a humanidade se depara com enormes desafios. Obviamente, o objeto não é uma formação natural, mas sim artificial. Seria essa a grande descoberta que provaria que nós não estamos sozinhos no universo?

Esse é considerado por muitos o magnun opus de Kubrick, sua obra-prima. E isso não é à toa. O roteiro do filme foi escrito pelo próprio Kubrick e também pelo escritor de ficção científica Arthur C. Clark.

Algo que se destaca no filme é o poder dos efeitos visuais utilizados, inovadores para a época e que não envelheceram com o tempo.

Além disso, a Odisséia aborda um tema pioneiro e que tem sido cada vez mais discutido: a Inteligência Artificial na figura de HAL 9000. Na realidade, o filme vai ainda mais longe, e acaba se tornando um dos primeiros a abordar a questão de uma máquina dotada de uma inteligência própria que acaba se voltando contra o ser humano.

Difícil é acreditar que o filme é de 1968!

 

 

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